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quarta-feira, 29 de junho de 2016

NA PB: Mulher planejou morte do irmão por R$ 13 mil para ficar com bens de R$ 1 milhão, diz polícia



Maria Celeste, de 26 anos, presa por contratar criminosos para executar o irmão durante um suposto assalto a uma padaria, em João Pessoa, planejou a morte da vítima por R$ 13 mil para ficar com o patrimônio da família avaliado em R$ 1 milhão. O estudante de Veterinária da UFPB Marcos Antônio Filho, de 28 anos, foi morto em junho deste ano por ter descoberto vendas de bens da família de forma ilegal e transações criminosas de Maria Celeste. A conclusão é da Polícia Civil da Paraíba e foi divulgada durante entrevista coletiva nesta terça-feira (28), um dia depois de seis pessoas terem sido presas, suspeitas na trama. Um sétimo suspeito foi preso nesta terça (28).

Investigações

De acordo com investigações da Polícia Civil, comandadas pelos delegados Aldrovilli Grisi e Júlia Valesca, há dois anos, o pai de Maria Celeste morreu e ela começou a comandar os negócios da família, que incluem a padaria no Jardim Luna, que foi o local do crime. Durante esse período, a jovem cuidava da mãe que ficou depressiva devido à perda do marido, e Celeste se mostrava uma pessoa amorosa. Porém, segundo a polícia, ela sempre mantinha a mãe dopada com antidepressivos e com isso começou a se desfazer dos bens da família.

Conforme divulgado em coletiva pela polícia, foram vendidos um carro e uma casa avaliados em mais de R$ 400 mil. Segundo a Polícia Civil, Marcos Antônio descobriu no escritório da irmã uma procuração falsa com o nome dele para venda de um veículo. Além disso, o estudante teria encontrado no WhatsApp da irmã uma conversa dela tramando um assalto a um dos compradores dos bens.

A polícia concluiu que, após a descoberta, Marcos Antônio começou a pressioná-la pelo dinheiro da venda dos bens. Os delegados informaram que a jovem tentou despistar o irmão, mas sem sucesso. Maria Celeste então teria decretado a morte do irmão. Conforme a Polícia Civil, foi pouco mais de um mês para a contratação do pessoal, planejamento e execução. Pelo assassinato, os executores receberiam R$ 13 mil, mas o dinheiro não foi pago.

Sigilo telefônico

A Delegacia de Homicídios de João Pessoa chegou até a suspeita depois da quebra de sigilo telefônico da vítima, autorizado pela Justiça. Inicialmente, o crime começou a ser investigado pela Delegacia de Roubos e Furtos depois da suspeita de que o caso poderia se tratar de um latrocínio (roubo seguido de morte).

Com a quebra do sigilo do celular de Marcos Antônio, houve uma mudança no rumo das investigações e o caso passou a ser comandado pela Delegacia de Homicídios. Segundo o delegado Aldrovilli Grisi, a polícia encontrou no celular da vítima várias ligações e conversas entre Marcos e Celeste, nas quais ele a questionava sobre a venda do patrimônio e a forma das transações. O sigilo telefônico da suspeita foi quebrado e a Polícia Civil descobriu o planejamento do crime.

Crime

No dia 4 de junho deste ano, segundo a Polícia Civil, Maria Celeste atraiu o irmão até a padaria da família sob o pretexto de que o dinheiro da venda dos bens seria repassado para ele. Ela repassou a localização da padaria pelo WhastApp e a foto da vítima para os executores. De posse das informações, a dupla foi até o estabelecimento e praticou o crime. Marcos Antônio não reagiu ao suposto assalto, se ajoelhou e foi atingido com um tiro à queima roupa. Alguns objetos pessoais da vítima foram levados para despistar as investigações.

De acordo com a polícia, Celeste teria tirado o dinheiro do caixa da padaria e saído do local, alegando que iria comprar farinha de trigo. Nesse momento, os suspeitos agiram.

Vida de luxo

Segundo levantamento da Polícia Civil, Maria Celeste é homossexual e teria um relacionamento amoroso com duas jovens, que trabalhavam para ela na padaria. Com o dinheiro da venda dos bens, a suspeita alugou uma casa no valor de R$ 2,5 mil onde promovia festas. Além disso, a jovem arcava com as despesas das namoradas, fazia viagens e mantinha uma vida de luxo.

Alvo dos executores seria ‘desconhecido’

Durante entrevista coletiva da Polícia Civil, em João Pessoa, as pessoas contratadas para matar Marcos Antônio revelaram que não conheciam o alvo e que praticaram o crime porque Maria Celeste disse que era um homem que estaria cobrando uma dívida a ela. Eles falaram que a suspeita de planejar o crime não revelou que a vítima era o próprio irmão. O grupo disse que, caso soubesse o grau de parentesco, não teria matado o jovem, mas a mandante.

Pagamento aos executores

Segundo a polícia, pela morte de Marcos Antônio, Maria Celeste revelou que pagaria R$ 13 mil. O valor combinado não foi pago e ela tentou repassar outra quantia menor que o preço combinado, mas o novo valor não foi aceito e ela começou a ser cobrada. Para a quitação da dívida, Celeste tentou retirar a moto do irmão apreendida pela polícia que seria vendida. Ao tentar retirar o veículo da Central de Polícia Civil em João Pessoa, ela foi presa e denunciada pelos comparsas.

Ainda conforme o delegado Aldrovili Grisi, Maria Celeste não tinha passagem pela polícia e permaneceu em silêncio durante todo o interrogatório.


Portal Correio

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